livros sobre puericultura

“Dúvidas de mãe”, da Larissa Fonseca

Quando nasce uma criança, nasce também uma mãe. E uma lista de dúvidas com mais itens que lista de supermercado do mês.

Pense numa pessoa tranquila, segura e divertida, que entende tudo de criança e de mães. Uma pessoa que, mesmo ser ter seus próprios filhos (por enquanto!), tem uma vasta experiência com mães e pais de primeira viagem e seus filhotes: essa pessoa é a Larissa Fonseca, pedagoga e psicopedagoga e autora do livro Dúvidas de mãe, publicado pela editora Pá de Palavra.

Eu conheci a Larissa há quase um ano, quando ela veio me apresentar seu livro recém-lançado. Batemos um papo muito gostoso tomando um café, enquanto ela falava sobre sua carreira de mais de 15 anos na área de Educação, em que atua dando palestras e cursos sobre assuntos ligados ao universo infantil para pais e educadores. Ela também atende pessoalmente pais e mães que acabaram de ter seu primeiro filho, ajudando a dar conforto e tirar aquelas dúvidas que insistem em aparecer e se multiplicar.

Como ela trabalha nesse atendimento há muitos anos, sacou que por mais diferentes que sejam os homens e mulheres recém-paridos, as dúvidas são sempre as mesmas: por que meu filho não dorme? O que significa esse choro? Dou chupeta ou não? Quando minha filha vai dormir a noite toda (e eu também)? Quando ele vai sentar? E engatinhar? E andar? E falar? Etc, etc…

O legal do livro da Larissa é a forma como ele é escrito. Pensando que pais e mães com bebê pequeno mal têm tempo de tomar banho e escovar os dentes, quanto mais de ler um livro inteiro para aprender como lidar com cólicas, por exemplo, ela separou o livro todo em pequenas ‘pílulas’ com tópicos específicos. Dá para se informar sobre a dúvida que te assola naquele minuto entre um choro e uma fralda suja, ou entre uma mamada e uma cólica. Super prático!

Se você quiser conhecer mais sobre a Larissa, ela tem vários vídeos educativos no canal dela no YouTube. E se você ficou interessado no livro Dúvidas de mãe, prepare-se: nós vamos fazer um concurso cultural na nossa fanpage do Facebook!

Para participar, basta contar nos comentários do post sobre o concurso a história mais engraçada de pós-parto que aconteceu com você: pode ser o dia que você saiu de casa com diferentes pés de sapato em cada pé, ou quando atendeu a porta de casa só de sutiã, ou a semana que ficou de camisola por sete dias seguidos! Os leitores vão escolher a melhor história e o autor da mais votada vai ganhar um exemplar do livro da Larissa!

Participe!

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Dr. Harvey Karp, o Santo Milagreiro dos Bebês Chorões!

olá, pais à beira da loucura!

este post é pra você! sim, pra você mãe que não sabe mais o que fazer com seu filho “boca-de-bolsa” que, mesmo alimentado, trocado, quentinho, chora sem parar! pra você pai que achou que seu colo tinha poder e descobriu que o choro do seu filho é de kriptonita!

quando Elis era bebê de colo –uma santa, diga-se de passagem–, eu li muitos depoimentos de mães que diziam deixar seus filhos dormindo com secador de cabelos ligado, rádio fora da estação e outras bizarrices que deixavam meus cabelos em pé. pensava comigo “essas mães de hoje inventam cada uma”.

depois Chico nasceu e me mostrou que bebês podem ser ainda mais tranquilos que os bebês-santos como a Elis, e eu nem participei de nenhum grupo de ajuda materna. pra quê? já tinha experiência de sobra e duas crianças benzidas por Deus.

eis que chega Caetano –sem ser chamado, a propósito–, e derruba meu lindo castelinho de cartas com um sopro. não, com seus super pulmões de ferro e seu choro supersônico! teretetê lá está Caê chorando. não é fome, não é sono, não é frio nem calor, não é fralda suja, não é cólica, não é falta de estímulo nem excesso. é só uma vontade narcisística de ouvir a própria voz, eu acho. só pode.

e então, eis que uma mãe confiante se transforma num cacareco de olhos vidrados e paciência no limite, que nem as amigas reconhecem mais. mas é graças a uma super amiga que Dr. Harvey Karp vem ao socorro: a Fê me emprestou o DVD “The Happiest Baby on the Block” (O Bebê Mais Feliz do Pedaço)! são pouco mais de 60 minutos de ensinamentos sobre como acalmar um bebê chorão! sensacional!!
depois de assistir o DVD eu entendi as “mandingas” das outras mães da época da Elis, sobre ligar secador de cabelo e rádio fora de sintonia, e tenho que admitir que, cética a princípio, acabei por me convencer da sua utilidade. e testei no meu exemplo real: não é que o Caetaninho ficou quietinho depois de uns 3 dos 5 Ss? rs

Dr. Harvey, um pediatra americano, explica sobre o reflexo da calma e os 5 passos para acalmar o bebê durante uma crise de choro. o DVD mostra as técnicas e o surpreendente efeito nos bebês! eu super recomendo!

Imagem

Caetano em “alfa” com o shhh do Dr. Harvey

beijos e muita paz! (hahaha)

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Sobre Ferberização, sono e rotinas infantis – parte 2

Olá!

Nossa, faz o quê? Um mês que não escrevo? rs

Desculpem o sumiço, mas essas últimas semanas foram tão corridas! O bebê ainda não nasceu, mas houve mudança de apartamento, chás-de-bebê, festa de aniversário da mais velha… ufa!

Este post é a sequência daquele post sobre sono e rotina infantis, desta vez sobre o livro Os Segredos de uma Encantadora de Bebês e o “outro” Nana, nenê, que eu só vim a conhecer recentemente por causa da Sha.

Conheci o Encantadora de bebês quando a Elis era pequenininha e, como a maioria dos bebês, não dormia direito, não mamava direito, chorava (não muito, mas na percepção de uma então mãe de primeira viagem era demais!) e deixava mãe e pai malucos. Não me lembro quem me recomendou, mas foi uma verdadeira bênção! rs

Tracy Hogg, a autora do livro, era uma inglesa que trabalhou com vários pais de primeira e seus bebês “indomáveis”, e devia ser uma pessoa muito simpática, porque lendo o livro a gente sente como se ela estivesse falando diretamente com a gente, nos acalmando e dizendo “relaxa, você não está sozinha e seu bebê tem solução”! hahaha

O livro Encantadora de bebês é muito gostoso de ler, bem estruturado e muito bem embasado em pesquisas científicas e na própria experiência da autora. Lendo, temos a sensação de que ela sabe do que está falando. Quando estamos à beira de um ataque de nervos, imaginando que ser mãe é um teste de sanidade impossível de passar, esse livro é como um refresco – ou uma bela xícara de chá de camomila calmante! rs

Resumidamente, Tracy Hogg defende a rotina diária como forma de ensinar o bebê a dormir bem, comer bem e ter uma boa aprendizagem nos momentos despertos. Ela tem umas técnicas com nomes engraçadinhos, que facilitam guardar as instruções na memória. Dentro da nossa abordagem sobre ferberização, contudo, ela está no meio – não é radicalmente à favor de deixar a criança chorando até pegar no sono sozinha, mas também acredita que chorar um pouco faz parte do dia-a-dia de todo bebê, e que as mães (e pais, avós etc.) não devem se descabelar por isso.

Lembro bem que uma das coisas que ela escreveu e que mais me marcaram foi algo assim “quando seu bebê começar a chorar, não se desespere achando que você tem que ‘silenciá-lo’ a qualquer custo rapidamente. Vá até ele imediatamente mas pegue-o tranquilamente, observe-o e tente perceber que tipo de choro é aquele, por que ele está chorando e te chamando, tente eliminar possibilidades antes de tentar qualquer coisa”. Para mim foi um alívio ouvir alguém dizer que “tudo bem seu bebê chorar, você não tem que saber todas as respostas de imediato”! Depois disso foi que comecei a observar a Elis e seus tipos de choro e, calmamente, claramente, pensar em todas as possibilidades e eliminar alternativas uma a uma, sem desespero e sem culpa!

É um livro que eu recomendo a todas as mães/pais de primeira viagem, não só pelo método, mas pela linguagem calma e gostosa, como uma mãe super experiente te guiando para uma posição tranquila de maternagem.

Nessa mesma linha “do meio” em termos de ferberização está o “outro” Nana, nenê, do Gary Ezzo e Robert Bucknam. Esse não é o “famigerado” Nana, nenê, do Eduard Estivill, sobre o qual falei no primeiro post, apesar do título igual. Neste livro, o autor defende mais ou menos a mesma teoria da Tracy Hogg (por isso coloquei os dois no mesmo post) sobre rotina de sono, de alimentação, de atividade, e que um pouco de choro na hora de dormir não faz mal a ninguém (só às mães mais sensíveis! rs)

É um livro curto, de leitura fácil, mas, ao contrário do Encantadora, não é muito agradável nem aconchegante. Gary Ezzo é um pastor evangélico americano que, junto com o pediatra Bucknam, estruturou um método de criação de bebês baseado na vontade dos pais – ou seja, a ideia dele é que tudo (sono, alimentação, atividades) seja controlado pelos pais, ao contrário de seguir a vontade do bebê. É um método super polêmico, porque trata o bebê como um “mini-adulto” que precisa ser “treinado” o tempo todo, e cujas vontades devem ser ignoradas. Tem partes neste livro de arrepiar! Uma delas, bem no começo, é a afirmação do autor que a base para um bebê feliz é uma família bem estruturada: uma mãe e um pai em harmonia. A parte da harmonia é legal e acho que tem ressonância na maioria de nós mães/pais; mas o que não fica claro é: tem que ser uma mãe e um pai? E se for uma mãe solteira? Ou dois pais? Ou duas mães? Ou avós? Isso diminuiria drasticamente as chances de o bebê ser feliz, por princípio?… Ele não diz que não, mas também não diz que sim…

Ao longo de todo o breve livro, Gary contrapõe sua teoria à conhecida teoria do apego, afirmando (sem base científica alguma, vale dizer) que bebês que passam boa parte do tempo no colo (em cangurus, slings ou nos braços) são dependentes, mimados e se tornarão adultos estragados. O que me pega não é nem ele falar mal da teoria do apego ou de maternagem centrada na criança, mas ele não apresentar nenhum argumento válido, comprovado, de que o que ele diz é correto. É tudo assim: “Mariazinha foi criada no colo e é uma menina mimada, ao passo que Joaninha foi criada no berço, chorando, e é uma guerreira”… mas quem disse? De onde ele tirou esses dados? Quem mais corrobora sua afirmação? Ficamos sem saber.

Para minha amiga Sha não ficar brava comigo, preciso colocar aqui alguns pontos positivos deste livro! E tem sim, como tudo na vida tem. 😉

Um dos pontos positivos que Gary coloca, na minha opinião (e que a Tracy também concorda), é um não-radicalismo em relação a aleitamento materno. Ele diz expressamente que leite materno é melhor porque tem anticorpos, é mais leve, de mais fácil digestão etc., mas em nenhum momento defende que leite artificial é um sacrilégio, que mãe que não amamenta não é mãe, que bebês alimentados na mamadeira serão deficientes, problemáticos ou outras maluquices que vemos muitas mães xiitas pregando por aí. Acho isso muito importante, porque uma coisa é defender o que é melhor – e não há dúvidas de que leite materno é melhor para qualquer mamífero –, e outra coisa bem diferente é desprezar a alternativa e desmerecer mães que não quiseram/não puderam amamentar. Felizmente, ser mãe é muito mais do que oferecer leite materno para o filho a qualquer custo!

Enfim, acho que eu estava com saudades de escrever aqui no blog, porque este post está imenso já! Vou ficar por aqui, recomendando a leitura dos dois livros a quem quiser saber mais sobre essas abordagens puericulturais. Mesmo não tendo gostado do livro do Gary Ezzo, acho muito válido que ele seja lido para que mães e pais tenham mais informação na hora de adotar uma postura e poder defendê-la seriamente. Mas o livro da Tracy… ah, que gostoso! rs

Beijos e boa leitura!

(e desculpa detonar seu livro, Sha! rs)

Nana, nenê

 Nana, nenê – como cuidar de seu bebê para que ele durma a noite toda de forma natural

  Gary Ezzo e Robert Bucknam

  Ed. Mundo Cristão

  2013

 128 páginas

 r$ 34,90 (na Cultura)

Os Segredos de uma Encantadora de Bebês

  Os Segredos de uma Encantadora de Bebês

  Tracy Hogg e Melinda Blau

  Ed. Manole

  2002

  318 páginas

  r$ 63 (na Cultura)

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Sobre Ferberização, sono e rotinas infantis – parte 1

bom dia, pessoal!

hoje começo a escrever uma série de posts sobre a polêmica da ferberização, o ‘método Estivill’, o sono e a rotina do bebê, usando 4 livros emblemáticos com opiniões bastante diferentes: “Nana, Nenê” do Dr. Estivill, “Nana, nenê” do Gary Ezzo, “Segredos da Encantadora de Bebês” da Tracy Hogg, e “Soluções para noites sem choro” da Elizabeth Pantley. por ser um tema muito polêmico e extenso, vou dividir essa discussão em 3 partes: este primeiro sobre ferberização, o segundo sobre rotina e o último sobre a teoria do apego.

não quero discutir aqui se é ‘certo’ ou ‘errado’ deixar bebês chorando sozinhos em seus quartos, primeiro porque esta é uma discussão já vista e revista tantas vezes que a conclusão mais adequada é “cada pai/mãe deve agir de acordo com o que lhes parece mais acertado e mais conveniente para suas rotinas familiares”; segundo porque acho que existem discussões adjacentes muito mais importantes e que devem ser levadas em conta antes de os pais optarem pela ferberização ou não.

o post de hoje é sobre o mais controverso dos livros: “Nana, nenê” do Eduard Estivill e da Sylvia de Bejar, que prega uma técnica conhecida como “método Estivill”. Eduard Estivill é um neuropediatra especializado em doenças do sono, que tem uma clínica em Barcelona e alguns livros publicados sobre o tema. ele se tornou famoso ao publicar esse livro, que resumidamente ensina os pais a ‘treinarem’ seus filhos para dormirem a noite toda. a polêmica principal consiste na ideia propagada por ele de que, se a criança chorar por não querer dormir sozinha, os pais devem ‘ensiná-la’ que seu choro não vai adiantar e devem deixá-la chorando em seu berço até pegar no sono sozinha.

alguns argumentos do Dr. Estivill ressoaram em mim por serem compatíveis com crenças que eu já tenho; um deles é que a ligação de amor e carinho entre bebês e seus pais não se baseia exclusivamente numa situação específica (por exemplo, deixar o bebê chorar na hora de dormir). ou seja, se você estiver querendo adotar o método dele mas está com medo de seu bebê ‘te odiar para sempre’, relaxe. sua relação estará segura contanto que você dê carinho, atenção e amor ao seu filho nas demais situações (hora de mamar, troca de fraldas etc.).

acredito que um dos maiores medos de mães de primeira viagem é que uma única situação em que elas perderam a paciência ou foram um pouco ausentes seja suficiente para marcar seu filho para sempre. conheci várias mães que se culparam por não ter conseguido parir naturalmente, por não ter conseguido amamentar exclusivamente até os seis meses ou até por terem dado um tapinha na mão do bebê num momento de impaciência. o que faz um pai ou mãe ser bom não é fazer tudo certo o tempo todo, mas acertar na maioria das vezes. portanto, se você quer muito que seu filho durma a noite toda e gostaria de tentar o método do “Nana, nenê” mas está com medo de estar sendo cruel com seu filho deixando-o chorar sozinho, fique calma. dê o máximo de atenção e carinho a ele em outros momentos e veja se consegue ter sucesso no ‘treinamento’ da hora de dormir.

outro ponto em que concordo com o Dr. Estivill é quanto a quantidade infinita de ideias estapafúrdias que pais e mães já inventaram pra fazer seus filhos dormirem e das quais se tornaram reféns mais tarde. conheci um pai que enfiava os três filhos pequenos dentro do carro toda noite para fazê-los dormir dando voltas no quarteirão… “meus filhos só dormiam assim”, ele me disse um dia. caramba, que ‘programação genética’ estranha! rs eu mesma não soube ensinar a Elis, minha primogênita, a dormir sozinha e acabei me tornando refém de sempre acudi-la quando acordava, dando colo, distraindo, dando leite…

porém, apesar de concordar com o autor em alguns pontos, discordo da metodologia defendida por ele, das premissas que ele usa para sustentá-las e principalmente do modo pelo qual ele se refere às crianças em alguns pontos do livro. ele chega a chamar os bebês (sim, seu filho!) de “pestinhas” por tentarem chamar os pais à noite chorando e, às vezes, se esgoelando. muito pouco profissional da parte dele, pro meu gosto.

a premissa principal do doutor é a de que crianças precisam ser ‘treinadas’. acho isso um tanto quanto militar demais. crianças, na minha opinião, não precisam ser ‘treinadas’ e nem precisam aprender a suportar agruras como ficar sozinhas e tentar se virar por conta própria. a vida se encarrega de cuidar disso. eu acredito que bebês e crianças precisam de segurança, de apoio e principalmente de carinho, especialmente nos momentos mais difíceis de suas vidas, como quando estão aprendendo alguma coisa nova (e provavelmente complexa). imagine que, quando você resolveu tirar as rodinhas da sua bicicleta, seu pai tivesse te dito “se vira, filho”, ao invés de “vem cá que eu te ajudo”… e, no entanto, você aprendeu. não?

é claro que acredito que as crianças devem aprender a fazer as coisas sozinhas, como tentar ficar em pé ou se levantar depois de cair, mas os pais não precisam estar por perto para ampará-los e dar confiança? não é assim que ensinamos a usar a privada ou a tomar banho sozinhos? primeiro fazemos por eles, depois deixamos que façam sozinhos mas sob nossa supervisão e, só depois de o aprendizado estar completamente internalizado, realmente podemos sair de perto sem que a criança sinta falta. pois então, eu pessoalmente acredito que devia ser assim ao ensinar seu filho a dormir sozinho. não deveríamos simplesmente largá-lo no berço e dizer “agora, meu filho, você tem que aprender a dormir sozinho porque um médico muito conceituado disse que isso te fará bem. beijo e tchau.”

outro problema com a proposta do Dr. Estivill é uma excessiva racionalização do método: ele chega a apresentar uma tabela de minutos para os pais seguirem quanto ao intervalo em que se deve deixar a criança chorar sozinha até acudi-la. no primeiro dia deve-se deixar a criança chorar por 3 minutos até os pais serem permitidos a entrar no quarto e, sem encostar no bebê, explicar a ele que está tudo bem e, de novo, “beijo e tchau”. o próximo intervalo é de 7 minutos até a próxima intervenção, depois de 11, 13, e assim por diante. espera: desde quando ensinar qualquer coisa a uma criança é uma ciência tão exata assim? já pensou, você na maternidade e a enfermeira te ensina que, ao dar banho no seu filho, a água tem que estar a exatamente 36,5 graus, você deve colocar uma gota e 3/4 de shampoo na cabeça dele, dar 3 voltas para a esquerda e enxaguá-lo duas vezes antes de tirá-lo da banheira. isso em, no máximo, 5 minutos e 36 segundos. hahahahahaha!

bom, é um livro bem curto, que dá pra ser lido em duas horas. acho que vale à pena lê-lo, seja você um adepto do método, seja uma mãe de primeira viagem, seja avó. sempre considero importante embasarmos nossas opiniões conhecendo um tema mais a fundo, mesmo que não concordemos com a proposta geral.

para ser sincera, demorei quase 4 anos para realmente conhecer o famigerado “Nana, Nenê”, de que tanto já ouvira falar em grupos de mães pela internet. hoje percebo que, apesar de não concordar com a rigidez do argumento do neuropediatra, concordo com algumas das suas premissas e acho válido levar algumas coisas em consideração, mesmo que você não queira seguir o método completo. por exemplo, criar rotinas absurdas de sono, como dar um passeio de carrinho no meio da madrugada para fazer o bebê dormir de novo, é simplesmente tapar o sol com a peneira. os pais acabam por se tornar, sim, reféns desses métodos que eles mesmos criaram, e podem terminar por culpar suas próprias noites mal dormidas na criança, que simplesmente aprendeu assim.

e você, quais foram suas experiências de sono com seus bebês? já leu este livro? conte pra gente!

beijos!

Nana, Nenê

Nana, Nenê

  Nana, Nenê

  Eduard Estivill e Sylvia de Bejar

  WMF Martins Fontes

  2009

  160 páginas

  r$ 39,90 (na Cultura)

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Sobre Ferberização e outras crueldades

quando minha primeira filha nasceu, se deu início meu estágio como mãe. sim, eu li nas páginas da baby whisperer Tracy Hogg que não se deve ‘ir aprendendo’ a ser mãe conforme a coisa vai acontecendo, mas acho que, no fundo, apesar de toda a bibliografia lida e as entrevistas com outras mães feitas, é assim que todas as mães se tornam mães.

sendo assim, o episódio ‘sono infantil’ foi, como em 99% dos casos, um dos mais difíceis na minha experiência. a Elis não era a mamadora mais eficaz do bairro e provavelmente tinha fome à noite. quando não queria mamar, a mãe de primeira viagem aqui achava que ela estava sem sono e tentava entretê-la altas horas da madrugada, ora vendo carros passando na rua pela janela, ora assistindo Discovery Kids… sendo assim, minha pobre filha só foi aprender a ter noites inteiras de sono consecutivas lá pelos 2 anos de idade.

quando meu segundo filho nasceu, eu já tinha sido promovida de estagiária a mãe junior e, mais experiente e com menos tempo para ‘bobagens’, não ficava enrolando quando o Chico acordava de madrugada: era peito e cama. e ele fazia os dois muito bem. passou a dormir a noite toda lá pelos 3, 4 meses de idade.

desde a primeira gravidez, já tinha ouvido falar no famigerado “Nana, Nenê” (Eduard Estivill, 2009) e no método de ferberização, que consiste em treinar seu bebê a dormir sozinho deixando-o chorar até cansar, mas não cheguei a ler o livro. a proposta me parecia tão estapafúrdia que nem cheguei a considerar na época. quando a Elis tinha poucos meses, uma noite ela estava particularmente chorona e nós, pais, particularmente cansados, e deixamos ela chorar no carrinho, no quarto escuro. minha tentativa durou exatamente 5 minutos – fui buscá-la correndo no carrinho e, no colo, ela dormiu em segundos. este foi o fim das minhas tentativas de ferberização.

na etapa mãe plena, voltei a ouvir falar do método e do livro, elogios inclusive. confesso que isso me atiçou a vontade de, pelo menos, ler o livro para ver do que realmente se trata essa proposta. por isso, a dica do post de hoje é o livro “Nana, Nenê” – mas já aviso: ainda não o li. este é como um ‘pré-post’ a respeito, com direito a um post posterior comentando sobre minhas impressões a respeito.

para não passar em branco, deixo aqui a dica de uma reportagem da revista Exame online, de 1997, chamada “Deixar chorar?“, sobre o método de ferberização e suas controvérsias no mundo da pediatria. é um texto longo e muito interessante sobre Richard Ferber, o dono do método, Robert Wright, um árduo opositor, e opiniões de diversos médicos brasileiros sobre o tema.

antes do próximo post, diga-nos quais as suas experiências com o método de ferberização e/ou aprendizado de sono de seus filhos. vocês leram este livro? usaram o método? gostaram? recomendariam? palpite!

ImageNana, Nenê

Eduard Sancho Estivill

WMF Martins Fontes

2009

160 pgs

r$ 39,90 (na Cultura)

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Sobre livros para gestantes e a massificação cor-de-rosa

Que sou uma traça devoradora de livros acho que todos já perceberam. Então, quando engravidei pela primeira vez, fui atrás de tudo que conseguia sobre gestação: livros sobre a gravidez e o desenvolvimento do feto, livros sobre como ser uma gestante saudável, livros sobre o que vestir, livros sobre o que comer, livros sobre o que ler…

Acho que o primeiro livro que peguei (ainda dentro da Livraria Cultura) foi o famoso O que esperar quando você está esperando (Eisenberg, Hathaway & Murkoff, Editora Record). Eu tinha grandes expectativas a respeito desse livro, mas a primeira coisa que li nele foi algo do tipo “capítulo um: doenças e problemas que podem ocorrer durante a gestação”!!! Larguei o livro no mesmo instante e economizei quase uma centena de reais. Uns dois anos depois, durante minha segunda gestação, descobri que o livro até que é interessante. Parece que tem um “mês-a-mês” do desenvolvimento do bebê e várias dicas e fatos curiosos. Não cheguei a lê-lo, mas uma prima, que estava grávida na mesma época, leu e aprovou!

Várias pessoas, principalmente amigas que já eram mães, foram me dando/emprestando seus livros preferidos ao longo da minha primeira gestação. A maioria que li detestei, porque tratam a gestante como um ser etéreo e cor-de-rosa, mimoso e meigo, que passa os dias olhando o quarto do bebê e sonhando com uma criança rechonchuda, cheia de babados e frufrus. (Dê uma busca no site da Cultura por ‘gestante’ ou ‘grávida’ e veja os títulos. Dá vontade de chorar!)

Espera: eu não me sentia assim! Minha gestação (e as subsequentes) foram muito tranquilas, quase sem sintomas incômodos, mas em nenhum momento eu deixei de ser eu mesma – uma pessoa basicamente não-mimosa. Por que eu haveria de passar a ser a “gestante de comercial da Johnson’s” de uma hora para outra, só porque havia um ser se desenvolvendo na minha barriga?

Um dos livros emprestados que entraram para lista negra é o Grávida e bela (veja o nome! veja a capa! – Carla Goes Sallet, Ediouro). É basicamente um manual de como ser uma mulher meiga e lilás, que passa 9 meses se besuntando de óleo contra estrias e usando batas e calças com elástico, sonhando com as bochechas róseas do seu futuro rebento. Bucólico, para dizer o mínimo.

O A vida do bebê (Rinaldo de Lamare, Editora Agir) é uma bíblia sobre puericultura e gestação. Me foi emprestado pelo meu querido pai, médico, e estava bem cotado… até eu ler a introdução, em que o famoso médico falava sobre algo como ‘sobre a não necessidade de amamentar o bebê’ ou ‘os benefícios do parto cesárea’. Eu, pouco radical, não consegui continuar porque já tinha percebido que o Sr. Lamare e eu divergíamos em relação a ideais básicos da maternidade. Talvez numa próxima gestação, talvez numa outra vida.

Tenho vários outros exemplos do que não ler quando não se é uma gestante de comercial de fraldas, mas não vou encher este post com propagandas de ideias em que não acredito. (Se quiserem nomes, peçam nos comentários que eu os darei com prazer.) Agora, se você foi, é ou será uma gestante cor-de-rosa, sinta-se feliz em saber que existe uma vasta biblioteca feita especialmente para o seu momento!

Dos livros que mais gostei, Receitas para grávidas (Flavio Garcia de Oliveira, Matrix Editora) é com certeza um deles. Eu sempre comi meio displicentemente, nunca gostei de ou soube cozinhar, então a gravidez foi um peso no quesito gastronomia e nutrição! Mas este livro é super gostoso de ler e tem vários tipos de receitas, inclusive para as gestantes vegetarianas.

Acabei descobrindo que as leituras mais interessantes sobre gestação estavam no mundo vivo da internet, em blogs e sites específicos. Um dos sites menos cor-de-rosa de que eu gosto bastante é o Babycenterbrasil.com.br, curiosamente da Johnson’s. Lá você pode calcular sua DPP (data prevista do parto), recebe informações semanais sobre o desenvolvimento intrauterino, pega dicas de nomes (ou evita os 100 mais famosos, no meu caso) e pode até discutir com outras gestantes em fóruns específicos.

A blogosfera pulula de informações de primeira mão vindas de mães de primeira viagem. Não dá nem para criticar; tem leituras para todos os gostos e cores.

Se você está grávida – ou está pensando em entrar para este mundo-cão –, mergulhe na sessão de puericultura das grandes livrarias e informe-se – ou pelo menos ria muito!

[Disclaimer: a autora deste post não tem a intenção de ofender ninguém, cor-de-rosa ou não. Este post tem a simples intenção de ser um desabafo sobre uma situação de não-conformidade com o ‘padrão’. Se você porventura se sentir ofendida, aceite minhas humildes desculpas, sabendo que os hormônios da gravidez às vezes podem ser cruéis não-intencionalmente…]

 O que esperar quando você está esperando

 editora Record

 2010

 784 páginas

 r$74,90 (Livraria Cultura)

 Grávida e bela

 editora Senac

 2009

 288 páginas

 r$80,31 (Livraria Cultura)

 A vida do bebê

 editora Agir

 2008

 800 páginas

 r$119,90 (Livraria Cultura)

 Receitas para grávidas

 Matrix Editora

 2008

 184 páginas

 r$42 (Livraria Cultura)

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