livros sobre maternidade

“Dúvidas de mãe”, da Larissa Fonseca

Quando nasce uma criança, nasce também uma mãe. E uma lista de dúvidas com mais itens que lista de supermercado do mês.

Pense numa pessoa tranquila, segura e divertida, que entende tudo de criança e de mães. Uma pessoa que, mesmo ser ter seus próprios filhos (por enquanto!), tem uma vasta experiência com mães e pais de primeira viagem e seus filhotes: essa pessoa é a Larissa Fonseca, pedagoga e psicopedagoga e autora do livro Dúvidas de mãe, publicado pela editora Pá de Palavra.

Eu conheci a Larissa há quase um ano, quando ela veio me apresentar seu livro recém-lançado. Batemos um papo muito gostoso tomando um café, enquanto ela falava sobre sua carreira de mais de 15 anos na área de Educação, em que atua dando palestras e cursos sobre assuntos ligados ao universo infantil para pais e educadores. Ela também atende pessoalmente pais e mães que acabaram de ter seu primeiro filho, ajudando a dar conforto e tirar aquelas dúvidas que insistem em aparecer e se multiplicar.

Como ela trabalha nesse atendimento há muitos anos, sacou que por mais diferentes que sejam os homens e mulheres recém-paridos, as dúvidas são sempre as mesmas: por que meu filho não dorme? O que significa esse choro? Dou chupeta ou não? Quando minha filha vai dormir a noite toda (e eu também)? Quando ele vai sentar? E engatinhar? E andar? E falar? Etc, etc…

O legal do livro da Larissa é a forma como ele é escrito. Pensando que pais e mães com bebê pequeno mal têm tempo de tomar banho e escovar os dentes, quanto mais de ler um livro inteiro para aprender como lidar com cólicas, por exemplo, ela separou o livro todo em pequenas ‘pílulas’ com tópicos específicos. Dá para se informar sobre a dúvida que te assola naquele minuto entre um choro e uma fralda suja, ou entre uma mamada e uma cólica. Super prático!

Se você quiser conhecer mais sobre a Larissa, ela tem vários vídeos educativos no canal dela no YouTube. E se você ficou interessado no livro Dúvidas de mãe, prepare-se: nós vamos fazer um concurso cultural na nossa fanpage do Facebook!

Para participar, basta contar nos comentários do post sobre o concurso a história mais engraçada de pós-parto que aconteceu com você: pode ser o dia que você saiu de casa com diferentes pés de sapato em cada pé, ou quando atendeu a porta de casa só de sutiã, ou a semana que ficou de camisola por sete dias seguidos! Os leitores vão escolher a melhor história e o autor da mais votada vai ganhar um exemplar do livro da Larissa!

Participe!

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Como nascem os pais?

você se lembra de quando se tornou mãe? não, não estou falando de quando seu primeiro filho nasceu; pense antes, na primeira vez em que você se imaginou mãe, no primeiro bebê-boneca que você ninou, na primeira criança dos outros que você olhou e disse ‘aaah…, quero um desses pra mim’. pensou? pois é, eu também acho que muitas de nós nasce mãe ou se torna uma bem cedo na vida. talvez seja isso o tal ‘instinto’ de mãe – parte realmente biológica enraizada no nosso DNA e parte sorrateiramente aprendida durante nossa vida.

mas e os pais? será que eles também têm um ‘instinto’ escrito no cromossomo Y? se têm, ninguém acredita. porque se há um consenso entre as mães do mundo todo é que nenhum pai cuida dos nossos filhos tão bem quanto a gente! hahaha

pareço cruel? ok, mas fala a verdade: com quantos meses você ‘deixou’ seu marido ficar sozinho com o bebê por 5 minutos, trocar uma fralda por conta própria sem inspecionar depois, dar banho sem supervisão?? pois é. essa ideia é tão forte e consensual que até os próprios pais fazem piada a respeito.

mas… o que acontece de verdade quando um pai tem que cuidar da cria? será que é a catástrofe que todo mundo imagina? será que ele não tem o mesmo cuidado porque não liga pro bebê? qual é o vínculo que um homem tem com seu filho? é muito difícil nós mães sabermos com certeza por dois motivos básicos: (1) a gente nunca deixa os filhos sozinhos com o pai (haha) e (2) eles nunca revelam o que acontece quando deixamos.

pois nossa sorte é que existem uns poucos pais que curtem escrever sobre isso. e, pra nossa surpresa, a ligação entre pai e filho pode até surgir só depois do nascimento, mas é tão forte e bonita que deixa a gente com vergonha de pensar o contrário!

dá uma navegada pela internet, buscando blogs de pais. tem vários, dá pra se perder com tantos relatos. mas o que mais me chamou a atenção, por diversos motivos, foi o do Renato Kaufmann, Diário de Um Grávido. ele começou a escrever quando soube que seria pai, então tem a história dos 9 meses de gestação e depois várias historinhas da Lucia, dos 0 até hoje, com 5 anos. o blog fez tanto sucesso que ele publicou dois livros, Diário de um grávido e Como nascem os pais, ambos pela Mescla Editorial. além de ter um jeito super carinhoso de falar da filha (dos gatos, da vida), ele é muito engraçado! eu, com a vida atribulada de quem trabalha e cuida de 3 crianças, consegui ler o livro todo em dois dias. super recomendo!

quem sabe depois disso a gente perde a noção de que só mãe cuida bem de criança, né? ou não… rs

como nascem os pais

  Como nascem os pais

  Renato Kaufmann

  Mescla Editorial

  2011

  208 páginas

  r$ 53,80 (Cultura)

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e no terceiro, quando você achava que já sabia tudo…

bom dia, leitores!

to empolgadíssima pra compartilhar com vocês o livro que estou lendo! na verdade, to na metade dele ainda, mas é tão bom que não consegui esperar!!

A Maternidade e o encontro com a própria sombra, da psicoterapeuta argentina Laura Gutman (Ed. Best Seller, 2010) é, como dá pra perceber pelo título (rs!), um livro sobre maternidade. mas ela já começa com o pé na porta: o período de resguardo não deveria durar somente 40 dias e ser relativo ao tempo de recuperação física – esse deveria ser um período de resguardo emocional de mãe e bebê, já que o parto é um rompimento tanto físico quanto emocional. ela também diz que por pelo menos 9 meses a sintonia entre mãe e bebê é tamanha que existe o que ela chama de “bebê-mãe” e “mãe-bebê”, sendo duas pessoas separadas fisicamente mas ainda ligadas emocionalmente. é por isso que a gente acorda toda noite uma fração de segundo antes de o bebê chorar pra mamar!!

com o Caetano foi o único período em que consegui tirar “licença maternidade” de verdade, 4 meses seguidos (ainda estou nele, melhor não falar muito…), mas curiosamente esse foi o único período de resguardo que me senti emocionalmente mais fragilizada. toda hora penso em fazer coisas, retomar a academia, voltar a estudar, começar cursos de desenho… e aí vem a sensação de esgotamento e eu lembro que acabei de parir, que eu deveria acalmar, aproveitar esse período pra descansar fisicamente e emocionalmente também. né?

no capítulo 2 ela detona as instituições ocidentais que “comandam” o parto e tiram da mulher sua autonomia: sabia que um dos motivos por que temos tantas cesáreas é a tal indução, que, quando feita antes da hora certa, pode causar o tal “sofrimento fetal” e dar ao médico “motivo” para interromper o parto vaginal e ir pra mesa de cirurgia? pois eu não sabia! sou super a favor do parto normal, tive os 3 assim, mas por essa eu não esperava! Ju, Sha e demais amigas que estão cozinhando seus próximos filhotes: fiquem atentas!

enfim, o livro da Laura Gutman está me cativando muito! quero terminar logo para compartilhar com vocês outras pérolas dessa mulher incrível!

beijos – fui ler!

A Maternidade e o encontro com a própria sombra

A Maternidade e o encontro com a própria sombra

  A Maternidade e o encontro com a própria sombra

  Laura Gutman

  Ed. Best Seller

  2010

  322 páginas

  r$ 39,90 (na Cultura)

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Sobre Ferberização, sono e rotinas infantis – parte 2

Olá!

Nossa, faz o quê? Um mês que não escrevo? rs

Desculpem o sumiço, mas essas últimas semanas foram tão corridas! O bebê ainda não nasceu, mas houve mudança de apartamento, chás-de-bebê, festa de aniversário da mais velha… ufa!

Este post é a sequência daquele post sobre sono e rotina infantis, desta vez sobre o livro Os Segredos de uma Encantadora de Bebês e o “outro” Nana, nenê, que eu só vim a conhecer recentemente por causa da Sha.

Conheci o Encantadora de bebês quando a Elis era pequenininha e, como a maioria dos bebês, não dormia direito, não mamava direito, chorava (não muito, mas na percepção de uma então mãe de primeira viagem era demais!) e deixava mãe e pai malucos. Não me lembro quem me recomendou, mas foi uma verdadeira bênção! rs

Tracy Hogg, a autora do livro, era uma inglesa que trabalhou com vários pais de primeira e seus bebês “indomáveis”, e devia ser uma pessoa muito simpática, porque lendo o livro a gente sente como se ela estivesse falando diretamente com a gente, nos acalmando e dizendo “relaxa, você não está sozinha e seu bebê tem solução”! hahaha

O livro Encantadora de bebês é muito gostoso de ler, bem estruturado e muito bem embasado em pesquisas científicas e na própria experiência da autora. Lendo, temos a sensação de que ela sabe do que está falando. Quando estamos à beira de um ataque de nervos, imaginando que ser mãe é um teste de sanidade impossível de passar, esse livro é como um refresco – ou uma bela xícara de chá de camomila calmante! rs

Resumidamente, Tracy Hogg defende a rotina diária como forma de ensinar o bebê a dormir bem, comer bem e ter uma boa aprendizagem nos momentos despertos. Ela tem umas técnicas com nomes engraçadinhos, que facilitam guardar as instruções na memória. Dentro da nossa abordagem sobre ferberização, contudo, ela está no meio – não é radicalmente à favor de deixar a criança chorando até pegar no sono sozinha, mas também acredita que chorar um pouco faz parte do dia-a-dia de todo bebê, e que as mães (e pais, avós etc.) não devem se descabelar por isso.

Lembro bem que uma das coisas que ela escreveu e que mais me marcaram foi algo assim “quando seu bebê começar a chorar, não se desespere achando que você tem que ‘silenciá-lo’ a qualquer custo rapidamente. Vá até ele imediatamente mas pegue-o tranquilamente, observe-o e tente perceber que tipo de choro é aquele, por que ele está chorando e te chamando, tente eliminar possibilidades antes de tentar qualquer coisa”. Para mim foi um alívio ouvir alguém dizer que “tudo bem seu bebê chorar, você não tem que saber todas as respostas de imediato”! Depois disso foi que comecei a observar a Elis e seus tipos de choro e, calmamente, claramente, pensar em todas as possibilidades e eliminar alternativas uma a uma, sem desespero e sem culpa!

É um livro que eu recomendo a todas as mães/pais de primeira viagem, não só pelo método, mas pela linguagem calma e gostosa, como uma mãe super experiente te guiando para uma posição tranquila de maternagem.

Nessa mesma linha “do meio” em termos de ferberização está o “outro” Nana, nenê, do Gary Ezzo e Robert Bucknam. Esse não é o “famigerado” Nana, nenê, do Eduard Estivill, sobre o qual falei no primeiro post, apesar do título igual. Neste livro, o autor defende mais ou menos a mesma teoria da Tracy Hogg (por isso coloquei os dois no mesmo post) sobre rotina de sono, de alimentação, de atividade, e que um pouco de choro na hora de dormir não faz mal a ninguém (só às mães mais sensíveis! rs)

É um livro curto, de leitura fácil, mas, ao contrário do Encantadora, não é muito agradável nem aconchegante. Gary Ezzo é um pastor evangélico americano que, junto com o pediatra Bucknam, estruturou um método de criação de bebês baseado na vontade dos pais – ou seja, a ideia dele é que tudo (sono, alimentação, atividades) seja controlado pelos pais, ao contrário de seguir a vontade do bebê. É um método super polêmico, porque trata o bebê como um “mini-adulto” que precisa ser “treinado” o tempo todo, e cujas vontades devem ser ignoradas. Tem partes neste livro de arrepiar! Uma delas, bem no começo, é a afirmação do autor que a base para um bebê feliz é uma família bem estruturada: uma mãe e um pai em harmonia. A parte da harmonia é legal e acho que tem ressonância na maioria de nós mães/pais; mas o que não fica claro é: tem que ser uma mãe e um pai? E se for uma mãe solteira? Ou dois pais? Ou duas mães? Ou avós? Isso diminuiria drasticamente as chances de o bebê ser feliz, por princípio?… Ele não diz que não, mas também não diz que sim…

Ao longo de todo o breve livro, Gary contrapõe sua teoria à conhecida teoria do apego, afirmando (sem base científica alguma, vale dizer) que bebês que passam boa parte do tempo no colo (em cangurus, slings ou nos braços) são dependentes, mimados e se tornarão adultos estragados. O que me pega não é nem ele falar mal da teoria do apego ou de maternagem centrada na criança, mas ele não apresentar nenhum argumento válido, comprovado, de que o que ele diz é correto. É tudo assim: “Mariazinha foi criada no colo e é uma menina mimada, ao passo que Joaninha foi criada no berço, chorando, e é uma guerreira”… mas quem disse? De onde ele tirou esses dados? Quem mais corrobora sua afirmação? Ficamos sem saber.

Para minha amiga Sha não ficar brava comigo, preciso colocar aqui alguns pontos positivos deste livro! E tem sim, como tudo na vida tem. 😉

Um dos pontos positivos que Gary coloca, na minha opinião (e que a Tracy também concorda), é um não-radicalismo em relação a aleitamento materno. Ele diz expressamente que leite materno é melhor porque tem anticorpos, é mais leve, de mais fácil digestão etc., mas em nenhum momento defende que leite artificial é um sacrilégio, que mãe que não amamenta não é mãe, que bebês alimentados na mamadeira serão deficientes, problemáticos ou outras maluquices que vemos muitas mães xiitas pregando por aí. Acho isso muito importante, porque uma coisa é defender o que é melhor – e não há dúvidas de que leite materno é melhor para qualquer mamífero –, e outra coisa bem diferente é desprezar a alternativa e desmerecer mães que não quiseram/não puderam amamentar. Felizmente, ser mãe é muito mais do que oferecer leite materno para o filho a qualquer custo!

Enfim, acho que eu estava com saudades de escrever aqui no blog, porque este post está imenso já! Vou ficar por aqui, recomendando a leitura dos dois livros a quem quiser saber mais sobre essas abordagens puericulturais. Mesmo não tendo gostado do livro do Gary Ezzo, acho muito válido que ele seja lido para que mães e pais tenham mais informação na hora de adotar uma postura e poder defendê-la seriamente. Mas o livro da Tracy… ah, que gostoso! rs

Beijos e boa leitura!

(e desculpa detonar seu livro, Sha! rs)

Nana, nenê

 Nana, nenê – como cuidar de seu bebê para que ele durma a noite toda de forma natural

  Gary Ezzo e Robert Bucknam

  Ed. Mundo Cristão

  2013

 128 páginas

 r$ 34,90 (na Cultura)

Os Segredos de uma Encantadora de Bebês

  Os Segredos de uma Encantadora de Bebês

  Tracy Hogg e Melinda Blau

  Ed. Manole

  2002

  318 páginas

  r$ 63 (na Cultura)

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Sobre Ferberização e outras crueldades

quando minha primeira filha nasceu, se deu início meu estágio como mãe. sim, eu li nas páginas da baby whisperer Tracy Hogg que não se deve ‘ir aprendendo’ a ser mãe conforme a coisa vai acontecendo, mas acho que, no fundo, apesar de toda a bibliografia lida e as entrevistas com outras mães feitas, é assim que todas as mães se tornam mães.

sendo assim, o episódio ‘sono infantil’ foi, como em 99% dos casos, um dos mais difíceis na minha experiência. a Elis não era a mamadora mais eficaz do bairro e provavelmente tinha fome à noite. quando não queria mamar, a mãe de primeira viagem aqui achava que ela estava sem sono e tentava entretê-la altas horas da madrugada, ora vendo carros passando na rua pela janela, ora assistindo Discovery Kids… sendo assim, minha pobre filha só foi aprender a ter noites inteiras de sono consecutivas lá pelos 2 anos de idade.

quando meu segundo filho nasceu, eu já tinha sido promovida de estagiária a mãe junior e, mais experiente e com menos tempo para ‘bobagens’, não ficava enrolando quando o Chico acordava de madrugada: era peito e cama. e ele fazia os dois muito bem. passou a dormir a noite toda lá pelos 3, 4 meses de idade.

desde a primeira gravidez, já tinha ouvido falar no famigerado “Nana, Nenê” (Eduard Estivill, 2009) e no método de ferberização, que consiste em treinar seu bebê a dormir sozinho deixando-o chorar até cansar, mas não cheguei a ler o livro. a proposta me parecia tão estapafúrdia que nem cheguei a considerar na época. quando a Elis tinha poucos meses, uma noite ela estava particularmente chorona e nós, pais, particularmente cansados, e deixamos ela chorar no carrinho, no quarto escuro. minha tentativa durou exatamente 5 minutos – fui buscá-la correndo no carrinho e, no colo, ela dormiu em segundos. este foi o fim das minhas tentativas de ferberização.

na etapa mãe plena, voltei a ouvir falar do método e do livro, elogios inclusive. confesso que isso me atiçou a vontade de, pelo menos, ler o livro para ver do que realmente se trata essa proposta. por isso, a dica do post de hoje é o livro “Nana, Nenê” – mas já aviso: ainda não o li. este é como um ‘pré-post’ a respeito, com direito a um post posterior comentando sobre minhas impressões a respeito.

para não passar em branco, deixo aqui a dica de uma reportagem da revista Exame online, de 1997, chamada “Deixar chorar?“, sobre o método de ferberização e suas controvérsias no mundo da pediatria. é um texto longo e muito interessante sobre Richard Ferber, o dono do método, Robert Wright, um árduo opositor, e opiniões de diversos médicos brasileiros sobre o tema.

antes do próximo post, diga-nos quais as suas experiências com o método de ferberização e/ou aprendizado de sono de seus filhos. vocês leram este livro? usaram o método? gostaram? recomendariam? palpite!

ImageNana, Nenê

Eduard Sancho Estivill

WMF Martins Fontes

2009

160 pgs

r$ 39,90 (na Cultura)

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Sobre amamentação e outras leituras

Amamentar é muito bom. Todo mundo sabe racionalmente, mas só as mães sabem instintivamente. Acontece que, apesar de estarmos instintivamente preparadas, somos tão frequentemente bombardeadas com informações contraditórias que acabamos travando na hora H, e de repente surgem insegurança, medo e mil dúvidas!

Não me lembro de ter lido nenhum livro específico sobre amamentação na época em que a Elis era um bebê, mas o que me salvou e trouxe de volta a confiança no meu instinto materno foi um grupo de discussão online. Eu estava passando por uma fase complicada em que a Elis pegava o peito, largava, chorava, pegava de novo, largava, chorava… eu não fazia ideia do que poderia ser e nem de como resolver. No desespero, entrei na internet e fiz uma busca por ‘amamentação’, e eis que surge uma turma no Yahoo Groups que visava a discutir e ajudar mães passando por exatamente a mesma situação em que me encontrava! Ler sobre os problemas das outras mães, as respostas e tirar minhas próprias dúvidas me ajudou demais, e logo Elis e eu estávamos em harmonia novamente!

Da segunda vez, eu já me sentia uma expert e não demorou nada para o Chico e eu estarmos em sintonia absoluta durante as mamadas. Mas me lembro na época que mencionaram que existiam umas enfermeiras para quem se poderia ligar e pedir uma consulta em casa. Elas vão até você, examinam a pega do seu bebê, dão dicas, acompanham até que você esteja segura para voar solo.

Só para não passar em branco, aqui vão algumas dicas de livros que falam sobre esse período mágico e sofrido na vida de mãe e bebê. Mas lembre-se: antes de entrar em desespero, tente conversar pessoalmente (ou online) com pessoas que trabalham com lactentes. É sempre bom ouvir uma resposta direta às suas dúvidas para sentirmo-nos plenamente seguras e confiantes!

  O Livro da Amamentação

  Vera Heloisa Pileggi Vinha

  Ed. Mercado de Letras

  2007

  80 páginas

  r$ 40 (Cultura)

  Amamentação – Bases Científicas

  Luis Alberto Mussa Tavares/Marcus Renato de Carvalho

  Ed. Guanabara

  2010

  458 páginas

  r$ 123 (Cultura)

  Amamentação, Contínuo Aprendizado

  Suzana Lopes de Melo

  Ed. All Print

  2010

  264 páginas

  r$ 100 (Cultura)

  Amamentação – Guia Prático

  Kathleen G. Auerbach/Jan Riordan

  Ed. Revinter

  2000

  100 páginas

  r$ 25 (Cultura)

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Sobre livros para gestantes e a massificação cor-de-rosa

Que sou uma traça devoradora de livros acho que todos já perceberam. Então, quando engravidei pela primeira vez, fui atrás de tudo que conseguia sobre gestação: livros sobre a gravidez e o desenvolvimento do feto, livros sobre como ser uma gestante saudável, livros sobre o que vestir, livros sobre o que comer, livros sobre o que ler…

Acho que o primeiro livro que peguei (ainda dentro da Livraria Cultura) foi o famoso O que esperar quando você está esperando (Eisenberg, Hathaway & Murkoff, Editora Record). Eu tinha grandes expectativas a respeito desse livro, mas a primeira coisa que li nele foi algo do tipo “capítulo um: doenças e problemas que podem ocorrer durante a gestação”!!! Larguei o livro no mesmo instante e economizei quase uma centena de reais. Uns dois anos depois, durante minha segunda gestação, descobri que o livro até que é interessante. Parece que tem um “mês-a-mês” do desenvolvimento do bebê e várias dicas e fatos curiosos. Não cheguei a lê-lo, mas uma prima, que estava grávida na mesma época, leu e aprovou!

Várias pessoas, principalmente amigas que já eram mães, foram me dando/emprestando seus livros preferidos ao longo da minha primeira gestação. A maioria que li detestei, porque tratam a gestante como um ser etéreo e cor-de-rosa, mimoso e meigo, que passa os dias olhando o quarto do bebê e sonhando com uma criança rechonchuda, cheia de babados e frufrus. (Dê uma busca no site da Cultura por ‘gestante’ ou ‘grávida’ e veja os títulos. Dá vontade de chorar!)

Espera: eu não me sentia assim! Minha gestação (e as subsequentes) foram muito tranquilas, quase sem sintomas incômodos, mas em nenhum momento eu deixei de ser eu mesma – uma pessoa basicamente não-mimosa. Por que eu haveria de passar a ser a “gestante de comercial da Johnson’s” de uma hora para outra, só porque havia um ser se desenvolvendo na minha barriga?

Um dos livros emprestados que entraram para lista negra é o Grávida e bela (veja o nome! veja a capa! – Carla Goes Sallet, Ediouro). É basicamente um manual de como ser uma mulher meiga e lilás, que passa 9 meses se besuntando de óleo contra estrias e usando batas e calças com elástico, sonhando com as bochechas róseas do seu futuro rebento. Bucólico, para dizer o mínimo.

O A vida do bebê (Rinaldo de Lamare, Editora Agir) é uma bíblia sobre puericultura e gestação. Me foi emprestado pelo meu querido pai, médico, e estava bem cotado… até eu ler a introdução, em que o famoso médico falava sobre algo como ‘sobre a não necessidade de amamentar o bebê’ ou ‘os benefícios do parto cesárea’. Eu, pouco radical, não consegui continuar porque já tinha percebido que o Sr. Lamare e eu divergíamos em relação a ideais básicos da maternidade. Talvez numa próxima gestação, talvez numa outra vida.

Tenho vários outros exemplos do que não ler quando não se é uma gestante de comercial de fraldas, mas não vou encher este post com propagandas de ideias em que não acredito. (Se quiserem nomes, peçam nos comentários que eu os darei com prazer.) Agora, se você foi, é ou será uma gestante cor-de-rosa, sinta-se feliz em saber que existe uma vasta biblioteca feita especialmente para o seu momento!

Dos livros que mais gostei, Receitas para grávidas (Flavio Garcia de Oliveira, Matrix Editora) é com certeza um deles. Eu sempre comi meio displicentemente, nunca gostei de ou soube cozinhar, então a gravidez foi um peso no quesito gastronomia e nutrição! Mas este livro é super gostoso de ler e tem vários tipos de receitas, inclusive para as gestantes vegetarianas.

Acabei descobrindo que as leituras mais interessantes sobre gestação estavam no mundo vivo da internet, em blogs e sites específicos. Um dos sites menos cor-de-rosa de que eu gosto bastante é o Babycenterbrasil.com.br, curiosamente da Johnson’s. Lá você pode calcular sua DPP (data prevista do parto), recebe informações semanais sobre o desenvolvimento intrauterino, pega dicas de nomes (ou evita os 100 mais famosos, no meu caso) e pode até discutir com outras gestantes em fóruns específicos.

A blogosfera pulula de informações de primeira mão vindas de mães de primeira viagem. Não dá nem para criticar; tem leituras para todos os gostos e cores.

Se você está grávida – ou está pensando em entrar para este mundo-cão –, mergulhe na sessão de puericultura das grandes livrarias e informe-se – ou pelo menos ria muito!

[Disclaimer: a autora deste post não tem a intenção de ofender ninguém, cor-de-rosa ou não. Este post tem a simples intenção de ser um desabafo sobre uma situação de não-conformidade com o ‘padrão’. Se você porventura se sentir ofendida, aceite minhas humildes desculpas, sabendo que os hormônios da gravidez às vezes podem ser cruéis não-intencionalmente…]

 O que esperar quando você está esperando

 editora Record

 2010

 784 páginas

 r$74,90 (Livraria Cultura)

 Grávida e bela

 editora Senac

 2009

 288 páginas

 r$80,31 (Livraria Cultura)

 A vida do bebê

 editora Agir

 2008

 800 páginas

 r$119,90 (Livraria Cultura)

 Receitas para grávidas

 Matrix Editora

 2008

 184 páginas

 r$42 (Livraria Cultura)

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