o último

este relato emocionante foi escrito pela Lindsay Ferrier, no Suburban Turmoil. como está em inglês e é imperdível, resolvi traduzir aqui pra vocês. quem se identifica? o/

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O último

The Last One

No dia em que seu último filho nasce, você vai se encontrar cheia de uma confusão de emoções.

Você vai sentir alívio por ter finalmente parido, orgulho e alegria pelo bebê saudável em seus braços – e tristeza pela compreensão de que você nunca mais vai experimentar o milagre primordial de um bebê crescendo dentro do seu corpo.

Daquele dia em diante, essa mistura estranha de sentimentos vai permanecer dentro de você – porque cada um dos ‘primeiros’ do seu caçula vai ser também o seu ‘último’.

Quando ele estiver grande demais para o pijama, você não vai mais guardá-lo para o próximo bebê. Quando ele abandonar os brinquedos, você vai doar a maioria. Você vai ficar feliz por ter algum espaço extra no armário, mas também vai ter aquele momento no supermercado quando você percebe que não tem motivo para ficar parada em frente aos mordedores no corredor 14 – seu último não os quer mais. Nem você.

 

BruiserUm dia, você vai se livrar de todas aquelas mamadeiras no armário, e aquilo vai parecer estranho já que mamadeiras preencheram a prateleira de baixo desde sempre. Você fará o mesmo um ano depois com as colheres de ponta de borracha para bebê, e depois com os copos de transição, e os pratos e cumbucas com desenho de coelhinho. Todas essas pequenas coisas que você passou a encarar como certas vão, de repente, surpreendentemente, não ser mais necessárias. E removê-las vai fazer seu coração doer um pouquinho.

Você não vai perceber que trocou sua última fralda até o dia em que arrumar a última gaveta de pijamas, encontrar um pacote de fraldas noturnas e perceber que ele não precisou mais delas nos últimos seis meses. Você vai comemorar o fim de uma era bastante fedida com uma taça de vinho depois que as crianças forem dormir. Trocar fraldas era um saco.

Você vai adiar arrumar o armário de casacos porque tem um pequeno aspirador de pó de brinquedo em algum lugar lá dentro que seus filhos usavam cada vez que você aspirava a casa. O caçula vai ter cansado desse brinquedo há anos, mas, de algum modo, aquele brinquedo se tornou simbólico dos anos da primeira infância, e você não vai conseguir suportar pensar em se desfazer dele. Então, o armário de casacos vai ficar cada vez mais bagunçado e mais desorganizado e quando seu marido falar alguma coisa, você simplesmente vai dar de ombros.

Você não vai levar o último para tantas aulas Mamãe & Bebê porque já sabe que ele não vai se lembrar delas de todo modo. Você não vai tentar ensiná-lo a ler aos 3 anos, porque já vai ter aprendido do jeito mais difícil que se você esperar só mais um ano, ele vai aprender muito mais rapidamente. Você não vai fazer muitas das coisas com o caçula que fez com o primeiro, porque você já passou por tudo isso e, francamente, a maioria era completamente desnecessária. Não vai ter importância – ele vai ter o desejo inato de todos os caçulas de estar à par dos irmãos mais velhos, e você vai se surpreender com o que ele consegue aprender por conta própria.

Bruiser
O que o caçula vai ganhar de você é muitos abraços e carinhos e beijos – o máximo que você conseguir dar antes que ele escorregue para fora dos seus braços. Em algum ponto, o caçula vai ser a única criança na casa que ainda gosta de sentar no seu colo, de fugir para a sua cama no meio da noite, de brincar de guerra de abraço e ter momentos de aconchego – e você vai saber por experiência própria que logo tudo isso vai acabar.

“Não cresça”, você vai sussurrar no seu ouvido. “Tenha seis anos para sempre”. “Eu tenho que crescer, mamãe”, ele vai rir. “Não consigo parar esse crescimento!” Sabendo disso, você vai apertar sua bochecha contra a dele e respirar o fraco aroma de bebê que sobrou em seus cabelos enrolados. Você vai cantar para ele na hora de dormir e dizer que o ama muito, muito, muito, e enquanto faz todas essas coisas, você vai ouvir uma voz melancólica na sua cabeça te lembrando que ele é o último, o último mesmo, e que não terão outros.

Bruiser Running
Quando você se lembrar do caçula, ele sempre estará correndo à sua frente e você vai estar tentando ao máximo acompanhar, seu coração explodindo com um misto de alegria e desespero. A cada dia que passa, o laço da infância vai parecer estar se desfazendo muito rápido diante dos seus olhos, e você vai se sentir impotente para pará-lo, e quando seu caçula abandonar livros de figuras para livros com capítulos e deixar a casa para sua primeira noite fora e pedir que você tire as rodinhas da bicicleta, você vai se dar conta brutalmente, repetidamente, do fato de que a melhor época da sua vida está escapando de você,

pouco

a pouco

a pouco.

Bruiser

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