Papo de Pai Louco — conheça o Felipe Noto

vocês já perceberam que este espaço aqui é só pra falar de ‘paizão’, né? daqueles que levam e/ou pegam os filhos na escola, que se dispõem a brincar, ler e se divertir com eles, que abriram espaço em suas vidas para acolher essas pessoinhas incríveis que eles ajudaram a produzir e estão colaborando para desenvolver pro mundo, que pensam (e repensam) suas ideias e atitudes e não têm vergonha em assumir que agora sabem o que é amor incondicional. quem não ama um paizão assim?

ser pai não é fácil, a gente sabe. agora, imagina ser pai de dois — ao mesmo tempo? pois o Felipe que o diga. não sei há quanto tempo o conheço – ele é pai dos gêmeos João & Martim, que estudam na classe dos nossos primogênitos –, mas uma das primeiras lembranças que tenho dele foi de um dia particularmente difícil em que eu tinha arrastado uma pequena Elis de 2 anos pelos quarteirões de casa até a escola, carregando mochila, lancheira e um Chico na barriga, cansada e bem p*ta, pra dizer a verdade. chegando na porta da classe, ela simplesmente não queria entrar. se agarrou às minhas pernas e se pôs a chorar. eu, que já estava no limite da paciência, queria pedir à professora que a pegasse à força e enfiasse logo na classe, pra eu poder ir embora trabalhar. nisso, do meu lado, agachado em frente à porta da mesma classe, estava esse pai passando pelo mesmo processo de apego que eu, só que com dois filhos ao mesmo tempo! ele abraçava um, que, mais calmo, entrava na sala. imediatamente o outro, que já estava lá dentro, saía e corria pros braços dele, chorando. ele pacientemente acalmava o segundo e, quando liberava o colo, logo recebia o primeiro de novo!

depois fomos nos conhecendo um pouco mais e percebi que ele é mesmo assim, um cara sossegado. paizão presente mas tranquilo, sem superproteções e compensações, inteligente, sabe estimular os filhos sem pressão. não deve ser à toa que os meninos foram os primeiros a aprender a ler na classe deles!

seja bem vindo, Felipe! 🙂

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Felipe e suas cópias, João & Martim

Felipe e suas cópias, João & Martim

Mães Loucas: O que você lê com os meninos? (quando você escolhe, não eles)

Felipe: Eu acho que agora estou acertando o tom… Eu fui comprando alguns livros de contos / fábulas (dos mais clássicos como Irmãos Grimm e C. Andersen, até folclore africano) e li pra eles desde pequenos. Acho que finalmente agora eles conseguem ter paciência pra estas leituras.

ML: E o que você lê quando está sozinho?

Felipe: Putz… de tudo. Jornal toda manhã (imagino que essa seja uma cena que ficará na memória da infância dos dois… eles me chamando pra brincar e eu insistindo que só depois do jornal). Atualmente muitos livros acadêmicos (doutorado na veia); mas literatura em geral também: Antonio Lobo Antunes, Rubem Fonseca, Machado de Assis (contos, adoro contos!), Fernando Pessoa… costumo dar preferência a autores em português. Mas sempre esbarro com Paul Auster, com Bukowski (pra rir um pouco); devo confessar que me divirto também com os best-sellers policiais de ocasião.

ML: Quais são as 5 melhores músicas para se ouvir com os filhos?

Felipe: Confesso que nunca tive muita paciência para música infantil. Essa história de Palavra Cantada não é comigo… Eles escutam o que nós escutamos.

ML: E as 5 melhores para ouvir sozinho?

Felipe: Sozinho sem eles, ou sozinho sem ninguém? Pra mim são coisas bem diferentes. Não consigo listar… mas transito entre jazz e samba, entre choro e Beatles. Ouço muita música instrumental (jazz, choro, mpb); quando estou mesmo sozinho escuto música clássica (principalmente piano, mas só quando estou sozinho pois ninguém mais tem paciência); além disso escuto bastante mpb (Tom, Chico, Edu Lobo etc..); nunca fui muito do rock (acho que parei nos Beatles…)

ML: Passatempo preferido para fazer com eles?

Felipe: Lego (ser arquiteto é uma desgraça!).

ML: Melhor passatempo quando você está sozinho?

Felipe: Ler, cinema, tv, cozinhar.

ML: Em que sentido os meninos te fazem uma pessoa melhor? Ou não fazem? Rs

Felipe: Putz… quando nascem os filhos você recebe de brinde um objetivo pra sua vida que se sobrepõe a qualquer outro que você já tivesse. E assim você passa a colocar todo o resto em perspectiva, tudo é relativizado. Isso lhe torna melhor? Talvez… Diferente, certamente.

ML: O que você descobriu no universo paterno que te surpreendeu (no bom sentido)?

Felipe: Descobri que se pode – em boa parte do tempo – conversar com uma criança sem se preocupar se ela é uma criança…eles entendem! Eu adoro conversar com eles sobre qualquer coisa, sem ter de tratá-los como seres especiais.

ML: E o que você não suporta a respeito desse universo?

Felipe: Não suportar é um pouco demais… não dá para assumir isso em público! Mas ok, não aguento mais ter de limpar bunda de criança; quando é que eles conseguem fazer isso sozinhos????

ML: Uma característica de cada um dos dois da qual você se orgulha?

Felipe: O Martim é o cara do detalhe, do interesse particular… e se preenche muito bem com isso. Desenha as brânquias do tubarão (“são três, papai”) e depois descreve cada um dos bichos que moram perto dele… O João é feliz, da hora que acorda até a hora de dormir. É um cara para quem não existe tempo ruim, nunca!

ML: E uma da qual você se orgulha em si mesmo, como pai?

Felipe: Acho que é melhor perguntar pra eles…rs.

ML: Vida de pai, antes e depois: é muito diferente? Por quê?

Felipe: Fala sério… precisa responder? Era mais fácil responder o que não mudou! repito parte da resposta que dei pra outra pergunta: surge um norte absoluto pra sua vida, mais magnético que todos os outros; pra mim todo o resto passou a ser visto com esse filtro novo, todas as decisões passam a incluí-los na equação (sem clichês, é verdade…); é claro que em termos objetivos, muita coisa muda (eu hoje não durmo até o meio dia nos finais de semanas, cinema passou a ser evento de luxo, minha casa organizada se tornou uma fotografia desfocada na memória etc. etc. etc.); mas acho que o mais forte mesmo é o terremoto interno que os filhos nos obrigam a enfrentar: eles nascem e na manhã seguinte você deixa de ser “filho” e passa a ser “pai” – não, isso não é nada óbvio! todas as suas decisões (tá certo, quase todas) estão relacionadas a este pequeno fato (onde vamos jantar hoje? será que eu aceito este trabalho? vamos trocar o piso do quintal? férias no verão?); isso tudo sem mencionar o fato de que aquela moça que até ontem era sua namorada vira também mãe, e enfrenta (e nenhum dos dois se dá conta claramente disso por um longo tempo) as mesmas dificuldades que você, ao mesmo tempo! Olha, cinco anos se passaram e acho que só agora eu consigo vagamente entender a transformação pela qual passei (passamos!).

ML: Em que você acha que ser pai de gêmeos é diferente de ser pai de filhos com idades diferentes?

Felipe: Pra começar tem a própria questão da gemelaridade. São dois indivíduos que vieram no mesmo pacote. A preocupação em individualizar cada um deles é constante, e suponho que seja mais forte do que com filhos com idades diferentes (pois isso já deve acontecer naturalmente). Até onde estimular o vínculo superespecial que existe entre eles, até onde estimular as diferenças; estas dúvidas acompanham de perto a criação dos dois.

ML: Que tipo de indivíduos você espera deixar para o mundo?

Felipe: Eu espero que eles se tornem (ou continuem a ser!) curiosos. Isso me parece ser a base de todo o resto importante…

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Categorias: convidados, Papo de Pai Louco | Tags: , , , | 3 Comentários

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3 opiniões sobre “Papo de Pai Louco — conheça o Felipe Noto

  1. Gabriela Chamusca

    Adorei Felipe te conhecer um pouco mais… Muito bom saber que os pais dos amiguinhos dos nossos filhos são como nós, pensam como a gente e tem os mesmos valores de vida!

  2. Eivor

    emocionante!
    A serenidade é uma constante!
    Queria ter um paizão assim! rsrsrsrs

    • Felipe Noto

      Que bom que ache isso, Gabriela…concordo!
      Eivor, hahaha! Não queira…
      Abraços pra vocês!

palpita aí!

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