with a little help from my friends

você começa pequeno como todo mundo. vive cercado de amigos e pessoas que cuidam de você. a vida é uma grande festa e quase não há momentos sozinho (pra quê?). sua mãe cuida da sua comida, seu pai paga suas contas (que você nem sabe que existem), seus amigos te ajudam carregar o peso da existência que você nem se dá conta que tem.

aí você cresce, fica independente, aprende a fazer um monte de coisas sozinho. e descobre que ‘sozinho’ até que é legal. de vez em quando, em doses moderadas. cava um cantinho só seu na casa dos seus pais, aprende que fones de ouvido são capazes de bloquear o mundo lá fora e corre pros seus amigos quando a existência começa a ficar pesada demais pra carregar sozinho.

você cresce mais um pouco e se torna adulto (mas o que é um adulto?). independência é sua palavra de ordem. seu maior orgulho é cuidar da própria vida, pagar as próprias contas, ir ao cinema sozinho quando tem vontade. você ainda tem amigos, mas sua vida é tão deslumbrante, sua profissão é tão importante, sua personalidade tão única que ser uma ilha não parece nada mal. peso? carrego minha existência como um prêmio.

você se casa e descobre a alegria de ser dois em um. já aprendeu a fazer tudo sozinho, agora aprende a fazer tudo a dois. dois pra lá, dois pra cá. dois na mesma casa, dois na mesma cama, dois na mesma vida. ao contrário do que ditaria a lógica, quando o bailado se torna cansativo, você não corre de volta pra sua independência; você traz mais gente pra roda. nasce o primeiro filho. e a alegria de se dedicar inteiramente a uma pessoa que te ama incondicionalmente é tamanha que você aumenta o grupo. nasce o segundo filho. e o terceiro.

cada dia uma descoberta, uma viagem, um ponto a mais na escala de amor. a brincadeira é tão envolvente que você nem se lembra mais o que é ser um. e nem quer lembrar. aliás, você nunca mais vai ser um. e tudo bem. tem tanta coisa pra desvendar nesse universo materno; tem tipos de fraldas, marcas de roupas, nome de pediatra, linhas de escola, aulas extras, festas infantis, brinquedos, reuniões pedagógicas, mensalidade, tênis que não serve mais, viagem com a escola, livros, cursos, presentes… eu também gostava de ler. e de desenhar. era legal ter tempo pra fazer aula de alemão só por vontade de descobrir um novo idioma. e viajar, sozinho, de mochila nas costas. e praticar esportes, bater papo, dar gargalhadas, falar palavrão, beber até ficar tonta, dançar, paquerar.

dizem que coração de mãe tem espaço pra tudo. só não cabe tempo. então, em meio ao turbilhão dos primeiros anos da infância dos seus filhos, você cava breves momentos de independência e relembra como é gostoso ser você. dança no chuveiro, canta no carro depois de deixar as crianças na escola, bate papo pelo whatsapp durante o expediente, assiste filme de terror no computador quando todos foram dormir e acorda antes das 5h para caminhar no parque só pro corpo não esquecer que, lá dentro, você não deveria envelhecer nunca.

este post é dedicado às minhas queridas amigas que, mães como eu, todo dia me ajudam a carregar aquele fardo da existência, que, cada dia mais pesado, fica também cada dia mais doce. amo vocês! 🙂

3 de 5

3 de 5 loucas que caminham juntas no parque todos os dias antes do sol nascer

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Categorias: desabafo | Tags: , , , , , , | 4 Comentários

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4 opiniões sobre “with a little help from my friends

  1. Suzane

    Nossa, que texto perfeito! É exatamente assim o ciclo da vida, principalmente o nosso, “mães loucas!” Adorei!!

  2. Pat Polonca

    A delicia é ser umas das 5 doidas, a delicia é este texto!!

  3. Gabriela Chamusca

    LINDO! LINDO! LINDO! Quero mais informações sobre estas caminhadas…. Afinal depois de 8 anos mãe estou cada dia mais sentindo saudades de mim snif snif snif ou na melhor das hipóteses da época que era dois (casal).

palpita aí!

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