Hands Free Mama — um blog inspirador

bom dia, leitores!

todo mundo que navega pela Internet sabe que a blogosfera está cheia de mulheres que, depois de terem tido filhos, resolveram se dedicar a escrever sobre maternidade (parece familiar? rs), mas de vez em quando a gente topa umas páginas realmente inspiradoras, com gente interessante por trás. é o caso do blog Hands Free Mama, da blogueira e mãe Rachel Macy Stafford.

conheci esse blog quando um post dela, publicado no Huffington Post, foi super compartilhado por toda a Internet, especialmente através do Facebook, e inclusive traduzido para o português. era sobre o momento em que essa mãe resolveu parar de pedir para a filha mais nova se apressar — já leu?

todo o conteúdo do blog Hands Free Mama gira em torno desse novo olhar que a Rachel decidiu ter em relação à vida e às relações dela com as filhas, principalmente. um olhar pausado, focado na beleza ao invés dos defeitos, que percebe a riqueza que temos à nossa volta e, consequentemente, nos traz paz. é realmente muito bonito – e simples!

abaixo, traduzo um dos posts mais emocionantes, chamado “Taking Away My Daughter’s Smile“. se você lê inglês, vá direto ao site dela; nada melhor do que ler o original. 😉

Apagando o sorriso da minha filha

Minha vida tinha tudo que eu sempre quis — um marido carinhoso, duas crianças lindas, corpo e mente sãos e um lar seguro e confortável.

Dadas essas circunstâncias tão desejadas, é de se pensar que eu acordasse toda manhã me sentindo grata, feliz e satisfeita.

Mas não era o caso.

Eu acordava me sentindo do mesmo jeito que me sentia indo dormir na noite anterior — infeliz, incomodada e irritada.

Mentalmente, eu conseguia reconhecer as bênçãos abundantes na minha vida, mas eu não as via ou sentia de verdade porque eu estava muito focada nas distrações abundantes da minha vida. Muitos compromissos. Muitos filtros. Muitas pressões autoinduzidas para ser tudo e ter tudo. Muitos padrões inatingíveis. Muitos a fazer e nunca tempo suficiente.

E quando você está lotada, apressada e agarrada no aparelho eletrônico, há muito pouco tempo para rir, descansar, brincar e simplesmente SER. É aí que o sorriso tende a desaparecer do seu rosto.

Apesar de conseguir forçar um sorriso em público, minha expressão era franzida na privacidade do lar. Sabe, quando se vive uma vida altamente distraída, nada — nem mesmo os lindos rostos da sua amada família — conseguem te trazer alegria.

A verdade machuca mas a verdade cura… e me traz mais perto da mãe e da pessoa que quero me tornar.

Meu descontentamento externo parecia atingir o pico na hora de sair de casa. Minhas filhas, então com 4 e 7 anos, sabiam que eu ficava meio louca enquanto tentava fazer todo mundo ficar pronto e sair de casa. Minha filha mais velha tentava ajudar do jeito que ela conseguia. Claro que suas tentativas de ajudar faziam com que tudo demorasse mais e nunca eram boas o suficiente. Eu nem tentava esconder meu desespero ou irritação.

Me lembro vividamente de entrar no carro depois de uma partida estressante. Olhei pelo retrovisor e vi minha filha mordendo o lábio superior de nervoso. Enquanto ela mordiscava aquele pedacinho frágil de pele do seu lábio de cima, com olhos arregalados, eu juro que dava para ler sua mente:

Mamãe está brava.

Mamãe está cansada.

Mamãe está estressada.

Mas havia mais. Eu praticamente conseguia ouvir como uma criança poderia interpretar a infelicidade da sua mãe.

Mamãe está brava comigo.

Mamãe está cansada de mim.

Mamãe está estressada por causa de algo que eu fiz.

Morder o lábio se tornou a nova prática da minha filha mais velha quando a gente entrava no carro para ir a qualquer lugar. E para o meu desânimo, o hábito lentamente tomou outras áreas da sua vida. Eu atribuía isso a preocupações escolares, timidez, às viagens a trabalho do pai, ciúme de irmã. Eu lia tudo que conseguia sobre esse comportamento prejudicial, enquanto torcia para que fosse somente uma fase que passaria logo. Mas o hábito de morder o lábio não passou. Às vezes, a pele sensível do seu lábio superior chegava até a sangrar.

Lá pela época em que achei que deveríamos procurar ajuda médica para o problema, uma luz se acendeu sobre a questão — uma luz que era mais um farol da verdade, do qual eu não podia me esconder.

Numa correria especialmente caótica para sair de casa e ir viajar em férias familiares, eu sentei no banco do passageiro espumando. Brava porque eu não tive tempo de colocar a louça na máquina de lavar. Brava porque estávamos atrasados para pegar a estrada. Brava porque a porta da garagem estava dando pau. Estou falando de pequenas inconveniências triviais e insignificantes aqui, mas esse era o estado de uma mulher distraída que não conseguia mais enxergar as bênçãos, só as inconveniências da sua vida.

E antes que a gente saísse da entrada da garagem, meu marido olhou para mim como se alguém que ele amasse muito tivesse morrido. Num sussurro quase inaudível, ele disse “Você nunca mais fica feliz”.

Eu queria me defender.

Eu queria arrumar uma desculpa.

Eu queria negar.

Mas eu não conseguia.

Porque eu sabia que ele estava certo.

Para onde tinha ido aquela mulher feliz? Aquela que sorria sem motivo para as pessoas por quem passava na rua. Aquela de quem os amigos sempre comentavam sobre a perspectiva positiva de vida. Aquela que se sentia feliz simplesmente por ouvir sua música favorita ou por ter um pacote de balas de morango na bolsa. Aquela que conseguia rir dos erros porque sabia que erros acontecem, e certamente eles não são o fim do mundo.

Para onde ela tinha ido?

E foi aí que olhei para o banco de trás, para ver se minhas filhas tinham ouvido as palavras do meu marido. Me encarando de volta estava minha filha, mordendo o lábio de preocupação do tamanho de uma pedra pesando em seus ombros pequenos.

E foi aí que uma pergunta ainda mais dolorosa me veio.

Para onde tinha ido minha menininha feliz? Aquela que acordava com o cabelo bagunçado mais lindo e um sorriso de bom dia. Aquela que abria um sorriso quando ouvia as palavras “borrifador de grama”, “algodão doce” e “loja de pets”. Aquela que gargalhava tanto que saíam lágrimas dos olhos. Aquela que lambia as pás da batedeira com puro prazer e dançava feliz qualquer música alegre.

Para onde ela tinha ido?

Eu sabia.

Eu sabia.

Enquanto eu voluntariamente fazia a minha própria vida abençoada miserável, eu tinha canalizado minha infelicidade direto para o coração e para o espírito feliz da minha filha. Sua dor era um reflexo direto da expressão que eu carregava no rosto.

Essa verdade difícil foi uma de várias admissões poderosas que me levaram ao meu colapso-ruptura “mãos livres”. Eu não tinha certeza de como, mas estava determinada a trazer o sorriso de volta para o rosto da minha filha; eu sabia que tinha que trazer de volta ao meu próprio rosto.

Comecei com um passo pequeno: focar no que estava dando certo ao invés do que estava indo mal. Eu chamei de: Enxergar as flores ao invés das ervas daninhas.

Sim, havia um quarto bagunçado (ervas daninhas), mas só porque minhas filhas haviam brincado tranquilamente e cooperativamente uma com a outra (flores).

Sim, seus sapatos estavam cobertos de lama (ervas daninhas), mas a felicidade no seu rosto ao pular nas poças era inesquecível (flores).

Sim, ela tinha saído da cama de novo (ervas daninhas), mas só para me dar mais um beijo de boa noite (flores).

Sim, ela tinha tirado da gaveta todos os shorts que ela tinha (ervas daninhas), mas ela tinha se vestido sozinha (flores).

Quando comecei a procurar as ‘flores’ ao invés das ‘ervas daninhas’ na minha vida cotidiana, os pontos positivos passaram a ficar mais óbvios e eu rapidamente tomei uma nova perspectiva. Percebi que muito do que me incomodava era trivial. Muito do que estava supostamente ‘arruinado’ eram coisas que poderiam ser consertadas ou arrumadas. O que importava – que estávamos seguros, saudáveis e vivos – eram pensamentos que começaram a se sobrepor aos negativos.

Minha filha mais velha, ansiosa para agradar e prestativa, parecia diferente também. Passei a vê-la por quem ela realmente era, não um aborrecimento ou um incômodo, mas uma criança carinhosa com ideias e pensamentos espertos. Pela primeira vez, eu via tudo que ela era capaz de fazer — não perfeitamente, mas bom o suficiente para hoje. Minha cara amarrada relaxou e os sorrisos vieram mais facilmente para nós duas.

E agora cá estou, três anos nessa jornada de Mãos Livres. Como qualquer ser humano normal, tenho momentos de frustração, tristeza, raiva e opressão… mas esses sentimentos são temporários, não são mais a norma. Eu não sorrio todos os minutos do dia, mas sorrio bastante.

Minha filha mais velha não é mais tão pequena. Uma das suas atividades favoritas é me maquiar. Eu me sento de pernas cruzadas em frente a ela e, enquanto ela gentilmente aplica blush no meu rosto, seu lábio perfeitamente carnudo fica direto na minha linha de visão.

Ela não se lembra de morder o lábio. Aquele hábito morreu logo depois que minha nova perspectiva de vida nasceu. Mas eu não vou esquecer. Na verdade, eu não quero me esquecer do custo da distração. Ela pode destruir sua vida em pedaços até te fazer sangrar. Ela pode levar aqueles que você ama durante o processo.

Mas se desapegando das distrações que tiram seu foco do que realmente importa, você começa a enxergar com clareza. E você passa a ver as flores ao invés das ervas daninhas.

Fazendo virar uma prática diária perceber tudo que é bom na sua vida, a alegria no seu coração tende a transbordar. E quando isso acontece, você se torna capaz de canalizar esse excesso de amor e felicidade diretamente para o coração daqueles que você mais quer ver sorrir.

lindo, né? bora colocar em prática essa nova perspectiva na nossa vida também, pra que nossos filhos não precisem nem passar pela experiência de sofrer com nossas angústias! 😉

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Categorias: blogs, leituras | Tags: , , , | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Hands Free Mama — um blog inspirador

  1. AMANDA GRISPINO

    muito bom!

  2. Ana Lúcia

    Sempre precisamos procurar as flores “escondidas” e deixar de valorizar as ervas daninhas…elas servem para que se aprenda a conviver e resolver o problema,mas não podem deixar com que se esqueçam das pequenas coisas que nos fazem felizes e,às vezes,são imperceptíveis…

palpita aí!

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