a impossível tarefa de dizer “não” aos meninos

bom dia, comunidade!

quem me conhece sabe que não sou econômica em dizer “não” aos meus filhos. mas ultimamente tenho me sentido culpada ao dizer um certo tipo de “não”: o de “menino não pode”.

talvez quem tenha só menino, ou menino primogênito, não tenha sentido ainda essa dificuldade. mas aqui em casa, o Chico é mais novo que a Elis, ou seja, quer fazer tudo que ela faz. e ela anda numa onda total de vaidade, esmaltes, batons etc. e ele? ele quer fazer igual. e aí?

em princípio, eu deixaria. acho super normal essa fase de descoberta –tanto de menino quanto de menina– e acredito que é importante as crianças experimentarem várias atitudes “de adulto” de forma lúdica para assimilar o que é ser “gente grande”. e honestamente não consigo imaginar que meninos usando batom aos 2 anos de idade seja um definidor de gênero no futuro. ok.

mas… o marido não partilha dessa opinião. ele não é uma pessoa tacanha, absolutamente, mas acredita em “cada macaco no seu galho”. então, no meio da correria, enquanto saio atrás de um que está sem tênis, outro berrando por atenção, e a Elis pede para passar batom e o Chico repete “batom! batom!”, termino por impulsivamente dizer “menino não pode, Chico”. e vem a culpa.

que fique claro: ele nem liga. quem fica mal sou eu, que me sinto uma bruxa por estigmatizar uma coisa tão boba. eu sei que a sociedade gosta dessas “delimitações”, mas não consigo deixar de pensar no mal que isso faz, no quanto torna as pessoas limitadas e, por fim, intolerantes. qual é o problema de um menino usar batom? e um homem? sério que se o Brad Pitt aparecesse na porta da sua casa, te encarasse de cima a baixo e dissesse “te quero” com uma boca cor de cereja você recusaria? ou pensaria “ih, ele também?”?? pensa bem…

daí que, por mim, o Chico pode passar batom e usar esmalte quanto quiser. por mim ele vai aprender que as pessoas são muito mais complexas do que “rosa= menina, azul= menino”. aliás, já não estamos vendo isso com muito mais frequência hoje em dia? lembra da história do menino americano que foi ao primeiro dia de aula usando sapatilhas? e dos meninos que foram de saia pra escola? e da criança (australiana?) que está sendo criada sem gênero pelos pais, até que ela tenha maturidade suficiente para escolher? lembra do Laerte?

pois é. pensar tudo isso também me fez chegar à conclusão de que as mulheres reclamam de serem preteridas em relação aos homens, mas a verdade é que a gente pode tudo. menina pode usar qualquer tom de azul, pode usar preto, pode usar calças compridas, cabelos curtos, cabelos sujos, pode beber cerveja, arrotar, assistir futebol, fazer judô, falar palavrão, andar de moto – pode até beijar outra menina sem ser chamada de lésbica! agora pense num homem bebendo daiquiri, sentado ao bar de pernas cruzadas, cabelos com reflexos dourados e pulôver salmão. pensou? pois é.

por isso me sinto culpada. não gostaria de ser a responsável por ensinar minha criança que tem coisas que ele não pode fazer, mas que não consigo explicar por quê. “porque menino não pode”. os colegas da escola já vão se encarregar de fazer isso, alguns professores, namoradas, amigos, televisão… prefiro que ele saiba que vou sempre apoiar suas descobertas, sua criatividade e suas experiências, e que comigo ele sempre terá liberdade para questionar e repensar qualquer paradigma que o incomodar.

e você, como lida (lidaria) com a questão “menino não pode”?

Chico e seu batom incolor

Chico e seu batom incolor

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Categorias: desabafo | Tags: , , | 7 Comentários

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7 opiniões sobre “a impossível tarefa de dizer “não” aos meninos

  1. Gabriela Chamusca

    Que coisa mais linda este menino… De batom e tudo!!!! Que vontade de falar sobre isso… Mas estou indo para o aeroporto… Quando chegar em sp escrevo algumas historias…
    Otimo post; para mim o melhor de todos!!!!!

  2. Samantha

    Olha… pra mim, complexo mesmo essa situação. Não consigo pensar em “teorias” ou em “ter que saber como agir”…. só consigo pensar que a sociedade é preconceituosa… e que talvez p/ os pequenos, melhor irmos, dentro de casa, definindo determinadas coisas… Passamos por 2 situações há pouco tempo que envolve isso: 1, qndo no parque o balão do Mickey tinha acabado, o Lucca quis o da Minnie. E dai?? compramos, e ele mega feliz… Mas olha, viamos gente olhando p/ o balão e para ele com aquela cara…. “ihhh”… 2, qndo na casa de um casal de amigos que só tem meninas, ele quis colocar a fantasia da Minnie… deixamos tbm, ele se sentiu dentro daquela fantasia !
    Má, não se sinta culpada !! Apesar da sociedade que vivemos, os estereótipos acho q estão caindo,pouco a pouco… Acho q nossos pequenos, por meio da observação, vão ver que eles são diferentes… meninos e meninas.. enfim…. complexo mesmo !! rs rs

    Bjs

    • Samantha, obrigada por compartilhar com a gente suas experiências!
      eu concordo com você sobre a sociedade ter seus preconceitos, acho que é exatamente por isso que é tão difícil criar meninos. se dermos muita liberdade, os outros se encarregam de criticá-los; se quisermos protegê-los desse preconceito, precisamos nós mesmas incutir neles as ideias estigmatizadas que criticamos…
      mas eu também acho que a sociedade está mudando pouco a pouco. espero que meus filhos tenham menos dificuldade em criar meus netos!
      beijos!

    • oi Samantha!
      obrigada por compartilhar suas experiências!
      talvez seja assim que a sociedade vá mudando pouco a pouco, né? com esses pequenos questionamentos que a gente, com a bagagem que cada uma tem, vai tentando esclarecer. espero que sirva para tornar as pessoas mais tolerantes e esclarecidas no futuro. afinal, é pra isso que nós mães estamos no mundo, não?
      beijo!

  3. Gabriela Chamusca

    Olá pessoal, minha opinião e experiência sobre o assunto…
    Difícil falar disso… as palavras devem ser muito bem escolhidas e cuidadosas para não sermos julgadas… Futebol, política, religião e sexualidade são assuntos delicados!
    Eu e meu marido tivemos uma criação muito pouco tradicional nesta área religiosa, política e sexual… (já na questão futebol somos SUPER tradicionais… mengão e timão hahaha) e por isso somos também assim como nossos pais… ou seja, aqui em casa não tem essa de menino NÃO pode… Pode sim mas explicamos pq teoricamente não poderia… Por exemplo, quanto a se pintar falamos que os homens se pintam no carnaval, os travestis, ou quando querem “aparecer” como o Laerte.
    Aqui em casa meus filhos sabem o que é o homossexualismo pois cada vez é mais comum andarmos na rua e vermos casais homossexuais… temos muitos amigos, conhecidos e familiares que são… para nós esta intimidade ainda é estranha (no sentido de chamar a atenção) mas acho que para nossos filhos não será e então precisamos ensinar isto (me desculpem os mais tradicionais que não concordam…)
    Mesmo sendo mãe de filho primogênito menino, passamos por isso também… acho que todos meninos passam por isso na infância quando novos pois não são ainda poluídos com essas coisas de menino ou menina… talvez pq não diferenciem mesmo ou até por que geralmente tem mais contato com a mãe… não sei.
    Só sei que já passei por muitas situações assim… João com 1,2 anos a brincadeira preferida era de panelinha; com 2 anos fazia xixi sentado, queria casar com o melhor amigo e me pediu para comprar para ele uma cueca cor de rosa (sua cor preferida); com 3 pediu de presente para a tia uma barbie mosqueteira e queria para fazer ballet… era o único menino da turma; inclusive dançou na festa de final de ano New York New York vcs lembram? LINDO!!!! Ia falar o que? Que ballet é de menina? Não é verdade… quantos bailarinos homens existem no mundo… O pai tb teve que deixar; mas estressou rsrsrs; disse que podia fazer mas que tinha que fazer judô também hahaha!
    Hoje, o João ODEIA estas coisas que são “de menina”… São as fases da idade, precisam passar por tudo… não acredito tb que isto vá definir o futuro; aliás, sou da opinião que quanto mais proibido maior a curiosidade e vontade depois…
    Menina pode tudo numas… estes dias a minha filha chegou em casa triste pois na escola falaram que ela era menino pois estava com o cabelo curto e que cabelo curto era de menino…
    Quero ver quando chegar na adolescência se o pai vai deixar as meninas dormirem na casa dos namorados ou eles aqui em casa ou se elas poderão ter vários namorados … como os meninos “poderiam”.
    Quanto ao Brad Pitt, se aparecesse de batom provavelmente antes de me disser “te quero”, pensaria… “que desperdício…” (olha o preconceito!!!!!) mas se dissesse; não pensaria 2 vezes… (in OFF) hahaha!
    MAIS UMA VEZ ÓTIMO BLOG!!!!!
    Gabi

    • Gabi, obrigada por compartilhar sua experiência com a gente! realmente, é um assunto bastante complicado. a Elis também já veio pra casa com essas de “balé é de menina, judô é de menino” e eu expliquei para ela sobre os bailarinos famosos e as judocas. mas não sei se ela entendeu muito bem…
      e outro dia veio com essa “não é verdade que menina não pode namorar outra menina?”… lá fui eu explicar que pode, sim, e tal. e ela “não pode, não!” HAHAHA
      acha que sabe tudo essa menina!
      beijão!

palpita aí!

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